Adeus



Esta é uma carta de despedida.

Foram trinta e poucos anos de um ciclo vicioso e majestoso não vividos juntos. Essa é a majestade, uma vida não vivida.

Amo quem sou hoje. Essa é uma certeza irrefutável. Não mudaria nada em mim. E sou fruto desses trinta e poucos anos não vividos juntos. Não há como dizer que foram dias ruins.

Te amo. Intensamente. Com a clareza de trinta e poucos anos atrás. Encontrá-lo foi como voltar no tempo, como se nada estivesse mudado entre nós! Fios de cabelo brancos. Rugas. Corpo decaído. Tudo isso passou sem perceber porque o amor estava ali. No brilho dos olhos, no acelerar do coração, na respiração descompassada.

Mudamos. Ah! Como mudamos. Mas a essência não! – você disse. Mudamos sim. E eu gosto de pensar assim.

Se o redor desaparecesse. Se fôssemos transportados para um mundo nosso, onde nada nem ninguém estivessem. Se nada mais importasse a não ser nós. Se... Se não existe. É uma desculpa para os fracassados. É a justificativa para quem não soube escolher e lamenta aquilo que foi perdido. Não quero saber do "Se".

Sou feliz. Tenho manias, imperfeições e eu as conheço quase todas e as aceito e não preciso de ninguém aprovando ou desaprovando cada uma delas. Não irei colocá-las à prova!

A mim, cabe viver. Tenho planos, muito planos. Todos eles me levam a crescer, ir para frente. Não tenho interesse em dispensá-los. Por ninguém... nem por um amor que insiste em estar presente, mesmo depois de trinta e poucos anos. E não vividos juntos.

Não quero mais você. Percebi que prefiro você exatamente onde está. No meu doce passado, junto a uma menina que tinha sonhos, estava amando e experimentando esse amor. Um passado delicioso, que provoca sensações únicas. Viu como você é importante para mim? Por isso o amo!

Seguirei feliz, olhando para frente. Não lhe desejo nada, além de que seja feliz também. Do futuro, apenas espero um café anual, um e-mail provocativo (vai, Corinthians!), uma música tocante. Mais nada.

Adeus. Que venham meus sonhos, minhas conquistas, meu sucesso. Tudo, sem você.

Com muito amor,

A.

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